Homelander dominou a narrativa de The Boys desde a estreia, mas seu destino sangrento na quinta temporada deixou um espaço enorme para novos antagonistas brilharem. Sem o rosto público mais temido de Vought, a franquia precisa apontar quem carrega agora a tocha do terror.
Entre executivos frios, clones instáveis e veteranos de guerra radioativos, a lista de possíveis substitutos reúne nomes já conhecidos do público e figuras ainda inexploradas das HQs. Avaliamos a força dramática de cada candidato, destacando atuação, direção e roteiro por trás desses personagens.
Os possíveis sucessores de Homelander
Eric Kripke e a sala de roteiristas deixaram pistas suficientes para supor quem assumirá o posto de vilão principal em futuros spin-offs. A seguir, analisamos seis opções, observando como cada uma pode sustentar o nível de ameaça e carisma que Antony Starr entregou à série.
Stan Edgar – A ameaça corporativa silenciosa
Interpretado por Giancarlo Esposito, Stan Edgar nunca precisou de superpoderes para impor respeito. A frieza calculada do ator, potencializada pela direção precisa de episódios como “The Only Man in the Sky”, transforma reuniões de diretoria em cenas de suspense. O roteiro usa pausas e olhares para mostrar que o executivo enxerga pessoas como peças de xadrez.
No final da temporada 5, Edgar reassume o controle total da Vought, retomando a posição de marionetista que exercia antes de Homelander se soltar. A força desse antagonista está na sutileza: ele convence políticos, domina narrativas midiáticas e explora o capitalismo como verdadeira arma. Isso garante um tipo de perigo mais realista e, por isso mesmo, inquietante.
Para os produtores, investir em Edgar significa focar num conflito de bastidores, onde contratos valem mais que lasers oculares. Essa mudança de escala pode refrescar a franquia, mantendo a torcida presa em diálogos afiados e intrigas corporativas que lembram thrillers como Succession, mas temperados pelo humor ácido típico de The Boys.
Jack from Jupiter – O “alienígena” subaproveitado
Nos quadrinhos, Jack from Jupiter fazia parte dos Sete, mas pouco brilhou. Na animação The Boys Presents: Diabolical, dublado por Kevin Michael Richardson, o personagem ganhou graça visual, abrindo caminho para uma reinvenção live-action. A maquiagem exótica pode render cenas de impacto, algo que a direção de arte sabe explorar bem na série.
Se o roteiro ampliar sua força física e adicionar poderes condizentes com a aparência extraterrestre, Jack pode chegar como o “novo brinquedo” de Vought, vendido ao público como símbolo de diversidade cósmica. A narrativa teria espaço para ironizar campanhas de marketing, algo recorrente no estilo satírico da produção.
Além disso, trazê-lo permitiria adaptar arcos ainda não usados das HQs, enriquecendo o universo televisivo. Caso os showrunners optem por revelar que Vought o manteve escondido por ser perigoso demais, a tensão cresce naturalmente, entregando um vilão curioso e visualmente marcante.
Cate Dunlap – O poder da manipulação mental
Emergindo em Gen V, Cate Dunlap (Maddie Phillips) impressionou espectadores ao oscilar entre heroína e algoz. A atriz equilibra vulnerabilidade e frieza, potencializada pela direção de Michelle MacLaren no episódio “Sick”. As luvas que lembram balé contrastam com a crueldade de obrigar alvos a cometer atos irreversíveis.
Embora tenha sido “redimida” no segundo ano do spin-off, Cate permanece suscetível a influências externas. Roteiristas podem explorar esse ponto fraco para mergulhá-la novamente nas trevas, desta vez sem a ingenuidade inicial. Como vilã, ela traz algo que Homelander não tinha: a capacidade de controlar vários supers simultaneamente sem disparar um tiro.
Do ponto de vista dramático, ver antigos amigos enfrentando a colega ampliaria o peso emocional. Além disso, a personagem carece de invulnerabilidade física, exigindo dos diretores coreografias de ação mais estratégicas e menos explosivas, o que pode diversificar a linguagem visual da franquia.
Imagem: Internet
Clonelander – A cópia sem consciência
A temporada 5 flertou com a ideia de um clone de Homelander por meio da trama do segundo Black Noir. Caso Eric Kripke decida avançar nisso, Antony Starr poderia retornar interpretando uma versão sem empatia alguma, entregando um exercício de atuação ainda mais perturbador. Diretores ganhariam liberdade para mostrar nuances sutis que diferenciem original e cópia.
Roteiristicamente, a escolha reforça o tom sombrio da obra: mesmo após vencer o monstro, a humanidade não consegue se livrar de sua sombra. A estética poderia abraçar referências a filmes de ficção científica corporativa, como RoboCop, ressaltando o aspecto “produto” desse novo supe.
Se a Vought vendesse o Clonelander como upgrade tecnológico – talvez com implantes ou armadura parcial –, a trilha sonora poderia usar timbres metálicos para destacar o transumanismo. Tudo isso mantém o ícone visual de Homelander em cena, mas com riscos inéditos e imprevisíveis.
Stormfront – O retorno incendiário
A vilã nazista de Aya Cash sobreviveu à explosão de popularidade mesmo após seu estado crítico. Diretores já provaram que conseguem chocar o público com sua ideologia repulsiva, usando enquadramentos que evidenciam a frieza de seu olhar. Recuperá-la – talvez com membros cibernéticos ou enxertos regenerativos – renderia cenas fortes de body horror.
Stormfront carrega bagagem política que dialoga com debates atuais, algo que o roteiro explora sem sutileza. Ao assumir o trono vago, ela poderia unificar grupos extremistas fora das telas, ampliando o conflito para além dos supers. Isso manteria o costume da série de apontar o dedo para o mundo real.
Visualmente, a paleta de cores que mistura vermelho e preto poderia ser intensificada, reforçando seu legado histórico. A volta da personagem permitiria ainda explorar flashbacks dirigidos com estética de documentário, aprofundando o passado obscuro de Vought e conectando a narrativa de Vought Rising aos dias atuais.
Soldier Boy – O patriota radioativo
Jensen Ackles roubou a cena na terceira temporada, entregando um Soldier Boy que combina carisma sarcástico e trauma de guerra. As cenas dirigidas por Eric Kripke apostaram em planos fechados que evidenciam os tiques nervosos do personagem, reforçando sua instabilidade. O spin-off Vought Rising promete expandir essa complexidade.
Se o prequel terminar com o herói congelado nos anos 80, abrem-se portas para despertá-lo no presente. Soldier Boy é quase tão poderoso quanto Homelander e ainda pode neutralizar poderes alheios, fator que eleva a tensão em batalhas. A trama ganharia novos contornos de tragédia familiar, pois ele continua sendo pai biológico de Homelander.
Trazer Soldier Boy de volta também satisfaz fãs que aprovaram a química entre Ackles e o resto do elenco. A direção poderia explorar contrastes culturais entre décadas, usando trilha sonora oitentista em cenas modernas para reforçar o deslocamento temporal do personagem. Assim, o vilão traria humor ácido e ameaça real numa dose equilibrada.
Com perfis tão distintos, The Boys tem material farto para preencher o vácuo de poder deixado por Homelander. A escolha final caberá aos roteiristas, mas seja qual for o caminho, a franquia mostra que não depende de um único rosto para continuar chocando – e divertindo – o público.

