Dos anos 1960 até hoje, a Marvel já colocou mais de quarenta animações na TV. Algumas viraram culto instantâneo, como X-Men: The Animated Series, mas há títulos que até fãs hardcore têm dificuldade de recordar.
- Quando a Marvel arriscou na animação
- The Marvel Super Heroes (1966)
- The New Fantastic Four (1978)
- Fred and Barney Meet the Thing (1979)
- The Incredible Hulk (1982)
- Ultraforce (1995)
- Iron Man: The Animated Series (1994-1996)
- Silver Surfer: The Animated Series (1998)
- Spider-Man Unlimited (1999-2001)
- Fantastic Four: World’s Greatest Heroes (2006-2007)
- Hulk and the Agents of S.M.A.S.H. (2013-2015)
Neste especial, revisamos dez produções esquecidas, analisando as atuações vocais, escolhas de roteiro, direção e o contexto de cada lançamento.
Quando a Marvel arriscou na animação
Antes do estúdio dominar o cinema com o MCU, a Casa das Ideias testava fórmulas na TV. Nem sempre o resultado empolgava, mas cada série abaixo deixou seu rastro de experimentação.
The Marvel Super Heroes (1966)
Primeira investida da editora nas telinhas, o programa dividia o tempo em curtas dedicados a Capitão América, Thor, Hulk, Homem de Ferro e Namor. A “animação” limitava-se a mover bocas e braços sobre painéis estáticos de Jack Kirby e Steve Ditko, o que gerou críticas à direção de arte conduzida por Grant Simmons.
Os dubladores Paul Soles e John Vernon se esforçavam para dar vida a quadros praticamente imóveis, entregando performances marcadas por ênfase teatral, ainda que o texto roteirizado por Stan Lee e Jack Kirby se mantivesse fiel aos balões originais.
Mesmo rudimentar, a série abriu caminho para adaptações futuras e mostrou que o público de TV aceitava histórias de super-herói no horário nobre.
The New Fantastic Four (1978)
Produzida pela DePatie-Freleng para a NBC, a animação chamou atenção pela ausência do Tocha Humana – fora bloqueado por licenciamento. Sob orientação de Stan Lee, o roteirista Roy Thomas criou o robô H.E.R.B.I.E., dublado por Frank Welker, para preencher a lacuna.
A direção de Bill Hutten manteve a aventura leve, mas críticas apontaram roteiro previsível e soluções narrativas repetitivas. Mesmo assim, o trabalho vocal de Mike Road (Senhor Fantástico) e Ginny Tyler (Mulher Invisível) garantiu certa química à equipe.
H.E.R.B.I.E. acabou migrando para os quadrinhos, mostrando que, apesar da recepção morna, a série impactou a mitologia do grupo.
Fred and Barney Meet the Thing (1979)
Coprodução Hanna-Barbera e Marvel, o spin-off juntava títulos, mas não personagens. Na prática, a direção de Ray Patterson alternava um segmento pré-histórico com outro centrado em Benjy Grimm, adolescente que ativava o poder do Coisa ao tocar dois anéis mágicos.
John Erwin manteve a voz grave que marcaria o herói em jogos e especiais futuros, enquanto os roteiros de Mark Evanier apostavam em moral simples e humor pastelão. A divergência total em relação aos quadrinhos causou estranhamento entre fãs e críticos.
Por não reunir realmente os Flintstones ao Coisa, o programa perdeu força de marketing e durou apenas uma temporada.
The Incredible Hulk (1982)
Transmitida pela NBC no bloco dividido com Spider-Man and His Amazing Friends, a produção de Ralph Bakshi optou por seguir a linha dos gibis. Os roteiros de Ron Friedman focaram no conflito Bruce Banner/Hulk, enquanto a direção de John Romita Sr. tentou equilibrar ação e drama.
Os dubladores Michael Bell (Banner) e Bob Holt (Hulk) receberam elogios pela transição de tons, embora a animação limitada do estúdio Marvel Productions fosse alvo de crítica constante.
Apesar da curta vida, a fidelidade ao material original rendeu status cult entre colecionadores de VHS.
Ultraforce (1995)
Lançada um ano após a criação da equipe pela Malibu Comics, a série ganhou produção da DIC Entertainment. A direção de Avi Arad buscava apresentar o universo Malibu antes da aquisição oficial pela Marvel.
Gary Chalk (Prime) e Janyse Jaud (Topaz) lideravam um elenco competente, mas os roteiros de Rob Humphrey careciam de desenvolvimento de personagem, algo citado por críticos como motivo para a baixa audiência.
Com apenas 13 episódios, Ultraforce não pôde competir com os hits X-Men e Spider-Man do mesmo período, ficando restrita às madrugadas de reprises.
Imagem: Internet
Iron Man: The Animated Series (1994-1996)
Exibida dentro do bloco The Marvel Action Hour, a animação passou por mudança radical entre as temporadas. Sob direção inicial da Rainbow Animation, a 1ª fase usava tramas episódicas e apresentava o Mandarim como vilão recorrente.
Na 2ª temporada, a H.K. Morning Sun Pictures assumiu, adotando narrativa serializada e melhorando a qualidade de animação. Robert Hays manteve a voz de Tony Stark, ganhando elogios pela nuance entre arrogância e heroísmo.
Os roteiros de Tom Tataranowicz passaram a abordar dilemas corporativos e armas de tecnologia, elevando o tom dramático. A mudança agradou críticos, mas veio tarde: a audiência não se recuperou e o show foi cancelado em 1996.
Silver Surfer: The Animated Series (1998)
Com estética que imitava traços de Jack Kirby, a série da Saban Entertainment inovou ao mesclar animação tradicional e computação. Sob direção de Roy Allen Smith, o visual impressionava, mas os roteiros de Larry Brody ousavam ainda mais, abordando temas como imperialismo e escravidão.
Paul Essiembre emprestou voz contemplativa a Norrin Radd, enquanto James Blendick interpretou Galactus com imponência. A crítica elogiou a ambição filosófica, contudo a audiência infantil estranhou o tom adulto.
Cancelada após 13 capítulos, a animação deixou cliffhanger jamais resolvido, mas segue lembrada como adaptação madura do cosmos Marvel.
Spider-Man Unlimited (1999-2001)
Planejada como releitura barata das primeiras HQs de Stan Lee, a série enfrentou entraves de direitos autorais e acabou ambientada em Counter-Earth. A direção de Audu Paden optou por traje nano-tecnológico para Peter Parker, dublado novamente por Rino Romano.
Os roteiros de Michael Reaves apresentavam vilões híbridos homem-animal, mas sofreram críticas de ritmo e excesso de subtramas. Ainda assim, a dublagem manteve o espírito piadista do herói e inspirou participações posteriores em games.
A produção foi interrompida no 13º episódio, deixando um gancho gigante. Décadas depois, o Aranha de Unlimited ganhou breve aparição em Spider-Man: Across the Spider-Verse, sugerindo sobrevivência do personagem.
Fantastic Four: World’s Greatest Heroes (2006-2007)
Coprodução canadense-francesa do estúdio Moonscoop, a animação visava surfar no sucesso do filme de 2005. Sob direção de Franck Michel, trouxe design vibrante e cenas de ação fluidas.
Os roteiristas Chris Yost e Craig Kyle, famosos por X-Men: Evolution, escolheram histórias originais, mas a crítica sentiu falta de grandes arcos clássicos. Brian Dobson (Coisa) e Lara Gilchrist (Sue) entregaram vozes energéticas, embora o humor exagerado dividisse opiniões.
A exibição desordenada nos EUA prejudicou a coesão e resultou em baixa audiência, encerrando a série com 26 episódios.
Hulk and the Agents of S.M.A.S.H. (2013-2015)
Desenvolvida por Paul Dini e Henry Gilroy para o Disney XD, a atração usava linguagem de reality show, com drones filmando o time Hulk. A direção de Dan Fausett explorava humor metalinguístico, enquanto roteiros de Brandon Auman focavam em batalhas colossais.
Fred Tatasciore, voz tradicional do Hulk animado, dividia a cena com Eliza Dushku (She-Hulk) e Clancy Brown (Red Hulk). Apesar do elenco estelar, críticos consideraram a série “esquecível” por tramas simples e gags repetitivas.
Mesmo recente, Agents of S.M.A.S.H. pouco é citado pelos fãs, encerrando-se em duas temporadas sem grande repercussão.
Do experimentalismo dos anos 60 aos formatos modernos, essas produções mostram um lado menos lembrado do catálogo Marvel. Cada tentativa, bem-sucedida ou não, pavimentou o caminho para as animações que hoje dominam o streaming.

