10 séries consagradas que surpreendentemente não alcançaram 100% no Rotten Tomatoes

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Conquistar o selo “Certified Fresh” já é motivo de orgulho para qualquer produção televisiva. No entanto, atingir a nota máxima no Rotten Tomatoes continua sendo um feito para pouquíssimos títulos.

Mesmo com roteiro afiado, atuações premiadas e direção elogiada, algumas séries marcantes ficaram a poucos pontos da perfeição. A lista a seguir relembra como cada uma delas impactou a TV — e por que ainda merecem uma maratona.

Produções aclamadas que ficaram a um passo da perfeição

Da comédia sarcástica ao drama criminal, estes programas moldaram gêneros inteiros, mas não conquistaram os 100% na plataforma de críticas. Conheça os destaques de elenco, direção e roteiro que consolidaram cada título como referência.

Hacks

Jean Smart e Hannah Einbinder formam a dupla que carrega o sarcasmo elegante de Hacks. A química entre as atrizes faz a série alternar entre momentos de humor mordaz e confissões vulneráveis, mantendo o público preso aos diálogos rápidos.

Com direção que valoriza o contraste geracional, os episódios investem em enquadramentos intimistas para evidenciar as falhas — e as qualidades — das protagonistas. A condução evita caricaturas e desponta quando deixa o silêncio falar mais alto que o punchline.

O roteiro, assinado por Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky, extrai piadas sem perder a melancolia que ronda o show business. Mesmo sem a nota perfeita, Hacks fecha seu arco no tempo certo, provando que consistência é mais importante que extensão.

Atlanta

Criada por Donald Glover, Atlanta é um mosaico de gêneros. O elenco principal — Glover, Brian Tyree Henry, LaKeith Stanfield e Zazie Beetz — alterna drama existencial e humor absurdo, sustentando episódios antológicos que beiram o experimental.

Diretores convidados, como Hiro Murai, exploram cores frias e enquadramentos desconfortáveis para discutir relações raciais nos EUA. Cada capítulo “garrafa” aprofunda a discussão social sem precisar dos protagonistas em cena.

O texto ousado aposta em metáforas afiadas, deixando claro que a série tem algo a dizer — e maneiras inusitadas de fazê-lo. Por isso, muitos fãs acreditam que Atlanta merecia o 100%.

Better Call Saul

Bob Odenkirk entrega aqui a atuação de sua carreira. A transformação lenta de Jimmy McGill em Saul Goodman prende pela humanidade do personagem, reforçada pela performance contida de Rhea Seehorn como Kim Wexler.

O diretor de fotografia Marshall Adams usa tons quentes para contrastar o deserto ensolarado com os dilemas morais sombrios. A direção de Vince Gilligan e Peter Gould opta pelo suspense dilatado, tornando detalhes — uma caneca, um olhar — potencialmente explosivos.

O roteiro costura tramas paralelas que culminam em um clímax impactante na sexta temporada. Mesmo sem 100% ou um Emmy, a série amplia o universo de Breaking Bad e, segundo críticos, supera o original em profundidade.

Justified

Timothy Olyphant e Walton Goggins dominam a cena em Justified. O embate entre o marechal Raylan Givens e o fora-da-lei Boyd Crowder rende diálogos afiados, cheios de ironia sulista.

Diretores como Michael Dinner transformam Harlan, Kentucky, num personagem vivo, ressaltando a poeira e o calor sufocante do interior. O clima de faroeste contemporâneo é reforçado por longos planos abertos e trilha de bluegrass.

Baseado nos contos de Elmore Leonard, o roteiro subverte o maniqueísmo: bem e mal se confundem quando a lealdade ao lar fala mais alto que a lei. O resultado é uma poesia áspera que merecia avaliação máxima.

Friday Night Lights

Kyle Chandler e Connie Britton conduzem a série com naturalidade comovente. O casal Taylor transmite, em olhares, o peso de liderar adolescentes obcecados por vitória numa pequena cidade do Texas.

A direção hand-held cria imersão quase documental, ressaltando a poeira do campo e o suor dos jogadores. A fotografia quente reforça a sensação de fim de tarde infinito, símbolo de sonhos juvenis.

Jason Katims adapta o livro de H. G. Bissinger com honestidade, evitando estereótipos esportivos. Drama familiar, política local e fé se entrelaçam num roteiro que convida o público a vibrar em cada touchdown.

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Imagem: Internet

The Sopranos

James Gandolfini redefine o anti-herói moderno como Tony Soprano, mafioso em crise de pânico. Seu desempenho cru revela violência, vulnerabilidade e humor ácido em igual medida.

David Chase coordena diretores que exploram cortes abruptos e sonhos oníricos para ilustrar o conflito interno do protagonista. A trilha, do rock clássico ao jazz, ressoa as oscilações de humor e poder.

O roteiro desconstrói o gangster glamouroso, enfocando terapia, família e moralidade. Ainda hoje, muitos consideram injusto que a produção não atinja 100% no Rotten Tomatoes, tamanha sua influência.

The Righteous Gemstones

Danny McBride, John Goodman e Edi Patterson formam o trio central desta sátira sobre uma dinastia de televangelistas. O elenco abraça o exagero, distribuindo frases memoráveis em ritmo frenético.

Diretores como Jody Hill harmonizam humor escrachado com sequências de ação dignas de blockbuster. Carros em alta velocidade, tiroteios e perseguições parecem inalcançáveis, mas se encaixam na narrativa.

O texto de McBride dosa crítica social e afeto: ri da ganância dos Gemstone, mas concede momentos de redenção. A cada temporada, a série expande a escala, mantendo coerência temática.

The Leftovers

Justin Theroux e Carrie Coon conduzem a dor coletiva de um mundo que perdeu 2% da população. Suas interpretações são carregadas de silêncio, choros contidos e surtos abruptos.

Damon Lindelof dirige episódios que misturam realismo e surrealismo. Enquadramentos fechados evidenciam desespero; cenas em câmera lenta mergulham o espectador na angústia existencial.

O roteiro permite confusão proposital, mas nunca abandona a emoção. Filosofia, religião e luto se cruzam num texto que, apesar da temática sombria, exalta a resiliência humana.

The Handmaid’s Tale

Elisabeth Moss carrega o peso de June Osborne com intensidade hipnótica. Cada close revela esperança, raiva e estratégia contra o regime de Gilead.

Diretoras como Reed Morano optam por paleta fria e enquadramentos centralizados para sugerir opressão. A fotografia vermelha do figurino das aias destaca a mutilação de direitos.

O roteiro adapta Margaret Atwood sem suavizar crueldades, tornando a resistência ainda mais catártica. Mesmo duro de assistir, o drama serve como alerta atemporal — e quase alcançou a nota máxima.

Six Feet Under

Peter Krause e Michael C. Hall vivem irmãos que administram uma funerária familiar. A dinâmica tensa cria cenas onde humor negro e filosofia de vida se encontram.

Alan Ball dirige o piloto com ousadia: plano sequência no funeral, diálogos sobre mortalidade e quebras de quarta parede sinalizam a proposta de exposição emocional total.

O roteiro abraça o “morte da semana” para discutir sexualidade, religião e crise de identidade. O célebre final fecha o ciclo com impacto, consolidando a produção como uma das mais completas da HBO. Muitos fãs defendem que a série merecia ter chegado aos 100% — discussão que segue viva em fóruns e em artigos como este sobre o episódio derradeiro.

Eis a prova de que a excelência nem sempre se traduz em pontuação perfeita. Para o público, fica o convite: revisitar — ou descobrir — estas dez séries e avaliar por si mesmo o quão perto da perfeição cada uma chegou.

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Sou redator especializado em conteúdo de beleza, moda e crochê. Produzo conteúdos desde 2021, tendo experiência como colunista em sites de referência.