Lançado em 1974, Dungeons & Dragons influenciou gerações de roteiristas e cineastas. Quase cinco décadas depois, o RPG continua ditando tendências – agora impulsionado pela quinta edição, publicada em 2014, que reacendeu o interesse pop no gênero.
- Uma nova onda de fantasia para fãs de dados e câmera
- 10 – Is It Wrong to Try to Pick Up Girls in a Dungeon?
- 9 – That Time I Got Reincarnated as a Slime
- 8 – Dimension 20
- 7 – Guardiões da Galáxia
- 6 – Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica (Onward)
- 5 – Frieren: Beyond Journey’s End
- 4 – Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes
- 3 – The Legend of Vox Machina
- 2 – Delicious in Dungeon
- 1 – The Mighty Nein
Nesta lista, reunimos dez produções recentes que herdaram a alma caótica do jogo. O foco está nas escolhas criativas, nas atuações e na mão firme de diretores e roteiristas que usam classes, magias e rolagens de dados como inspiração – assumida ou não.
Uma nova onda de fantasia para fãs de dados e câmera
Dos animes que viraram guia de campanha até blockbusters com elencos estelares, cada título abaixo demonstra – em maior ou menor grau – como a dramaturgia moderna reinventa as velhas tavernas e masmorras do RPG. Confira o ranking.
10 – Is It Wrong to Try to Pick Up Girls in a Dungeon?
Com cinco temporadas no ar e uma sexta confirmada, o anime reúne aventura e humor romântico, trocando estereótipos de gênero ao colocar o protagonista Bell Cranel como “donzela em perigo”. A dublagem japonesa mantém ritmo leve, enquanto a direção aposta em batalhas coreografadas que lembram encontros de monstros de D&D.
O roteiro de Hideki Shirane surpreende o público ao subverter clichês de harém, o que rendeu a Bell indicações a “Boy of the Year” em 2023, 2024 e 2026 no Anime Trending Awards. Mesmo assim, parte da fanbase critica a queda de qualidade visual pós-primeira temporada.
A popularidade entre jogadores é tanta que fãs criaram guias de campanha e até um grupo fixo na plataforma Roll20 há mais de três anos. Esse diálogo direto com a mesa de jogo sustenta o lugar da série no ranking.
9 – That Time I Got Reincarnated as a Slime
No anime, o salário-man Satoru morre e renasce como slime superpoderoso chamado Rimuru Tempest. A narrativa de Kazuyuki Fudeyasu equilibra batalhas sangrentas e diplomacia, espelhando as sessões de roleplay político do RPG.
O sistema de níveis e a presença de monstros “nomeados” lembram diretamente os manuais de D&D, inclusive a menção histórica ao Lorde Demônio Juiblex, criatura caótica apresentada na primeira edição do jogo.
Apesar do pacing lento em certos arcos, a direção de Yasuhito Kikuchi compensa ao tratar monstros como povos com cultura própria, reforçando o clima de mundo vivo.
8 – Dimension 20
Criada para a plataforma Dropout, a série mostra partidas de RPG comandadas por Brennan Lee Mulligan com elenco de comediantes de improviso. Os episódios têm entre duas e quatro horas, ritmo mais ágil se comparado a outras webséries do gênero.
A produção investe em cenários detalhados e miniaturas, o que ajuda o público leigo a visualizar as cenas enquanto acompanha decisões de jogo que impactam diretamente o enredo.
Mesmo com alto valor de produção e humor afiado, a atração se mantém mais nichada, atraindo espectadores já familiarizados com mesas virtuais – fator que explica sua posição no ranking.
7 – Guardiões da Galáxia
Sem declarar abertamente inspiração no RPG, o longa de James Gunn traz um grupo de desajustados que se encaixa em classes clássicas: Star-Lord seria um bardo, Drax um bárbaro, Gamora uma ladina, Rocket um artífice e Groot um druida.
A dinâmica caótica do elenco – Chris Pratt, Zoe Saldaña, Dave Bautista, Bradley Cooper e Vin Diesel – evoca sessões em que piadas e falhas críticas ditam o rumo da aventura. Exemplo: Peter Quill deixa a Joia do Poder cair, lembrando rolada baixa no dado.
A falta de criaturas típicas de fantasia impede uma imersão completa no universo de D&D, mas o espírito camarada e a mistura de ação e comédia garantem vaga na lista.
6 – Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica (Onward)
Com direção de Dan Scanlon, a animação da Pixar acompanha os elfos Ian e Barley Lightfoot em missão para ressuscitar o pai por 24 horas. A trama enfatiza evolução gradual de habilidades mágicas, recurso típico do RPG.
Artefatos encantados e monstros clássicos – como o cubo gelatinoso – reforçam a ponte com D&D, enquanto a animação mantém o padrão visual do estúdio. A dupla de protagonistas, dublada por Tom Holland e Chris Pratt, entrega química essencial para a jornada emocional.
O enredo sobre luto e afeto familiar eleva o filme além de simples paródia de mesa de jogo, mas o ranking reflete concorrentes com propostas ainda mais ousadas.
Imagem: Colorblind
5 – Frieren: Beyond Journey’s End
O anime se diferencia ao explorar a vida da elfa imortal Frieren 50 anos após derrotar o Rei Demônio. Roteirista Tomohiro Suzuki foca em memórias, perdas e saudade, aspectos raramente vistos em histórias de campanha.
Os flashbacks evidenciam como uma longa quest transforma personagens ao longo das eras, e a direção de Keiichirō Saitō aposta em ritmo contemplativo, apoiado por trilha minimalista.
Apesar de pouca “bagunça de dados”, a série captura a melancolia pós-aventura, garantindo posição de destaque sobre adaptações diretas como Chaos Dragon.
4 – Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes
Com orçamento estimado de US$ 150 milhões e bilheteria de US$ 208 milhões, o filme dirigido por Jonathan Goldstein e John Francis Daley não deslanchou financeiramente, mas agradou crítica e fãs.
O carisma do elenco – Chris Pine (bardo), Michelle Rodriguez (bárbara) e Sophia Lillis (druida tiefling) – traduz de forma fiel arquétipos de ficha de personagem. Roteiro ágil reflete lances de dados imprevisíveis, equilibrando humor e aventura.
Mesmo sem sinal verde para continuação, a produção mantém status de retrato mais preciso da mesa de RPG no cinema contemporâneo.
3 – The Legend of Vox Machina
A animação do estúdio Titmouse adapta a mesa original de Critical Role. Os próprios jogadores dublam seus heróis, garantindo coerência de interpretação entre live action e desenho.
Com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, cada temporada apresenta evolução gráfica e narrativa. O texto mantém pegada adulta, mas exagera em humor escatológico – ponto criticado por parte do público.
Ainda assim, desenvolvimento de personagens e respeito às origens do RPG fazem da série referência de near-masterpiece.
2 – Delicious in Dungeon
Distribuída pela Netflix, a produção mergulha em um megadungeon onde aventureiros cozinham as criaturas que derrotam. O roteiro harmoniza violência, gastronomia e amizade, lembrando outras obras sobre culinária fantástica.
Os monstros exibem níveis variados de ameaça; às vezes o grupo perde – sensação típica de jogadas de dados. Elementos sombrios, como magia de sangue e mago enlouquecido, adicionam peso dramático.
O resultado é elogiado por worldbuilding detalhado e personagens carismáticos, competindo de igual para igual com adaptações oficiais.
1 – The Mighty Nein
Prime Video adaptou a segunda campanha de Critical Role em formato animado. A produção entrega ritmo consistente, tom equilibrado e conexão orgânica entre protagonistas e o continente de Wildemount.
Dublagem do elenco original reforça nuances emocionais, enquanto a animação de alta qualidade aproxima o público da intensidade das sessões presenciais.
O envolvimento do cenário nas escolhas do grupo cria stakes mais altos que em outras obras, motivo pelo qual a série ocupa o topo deste ranking. Mais detalhes sobre o universo podem ser conferidos em nosso especial sobre D&D.

